18/06/2016

Personal | Sê o teu maior motivador


No início deste ano letivo, para um trabalho que a minha turma fez tivemos de responder à pergunta "De que tens medo?". Na altura não prestei muita atenção, mas a verdade é que agora que penso na minha resposta, o meu medo era algo que me andava a impedir de sair da minha zona de conforto nos últimos anos. Coincidência ou não, durante este ano letivo comecei a arriscar mais.

Mais do que aceitar desafios, coloquei-os também a mim própria, tendo muitas vezes resultado, de um modo global, bem. A verdade é que a frase "so plant your own garden and decorate your own soul instead of waiting for someone to bring you flowers" voltou a verificar-se. 
Não devo, nem quero, desvalorizar o que as pessoas à minha volta fizeram, fazem e farão por mim, mas a verdade é que não devemos estar só à espera que alguém nos venha confortar e dizer que tudo ficará bem, tem de existir motivação própria, temos de acreditar que somos capazes e vamos conseguir em vez de primeiro esperar que alguém o diga.

Este ano saí da minha zona de conforto porque assim o quis e decidi. Aprendi que entre a possibilidade de ficar magoada e não ser feliz de todo, é melhor correr o risco, pois quiçá se não terei surpresas, e caso não resulte bem, tenho a certeza de que aprenderei algo através disso.

19/05/2016

BLOGOSFERA | Até já


Não quero deixar o blogue ao abandono sem dizer nada, no entanto também não gosto de ter a sensação de que estou a escrever publicações só para o manter atualizado, por outras palavras, para "encher chouriços", daí estar a escrever-vos isto.
Tal como referi na primeira publicação de maio, este é um mês muito stressante, é a reta final em que tenho de dar tudo - ainda por cima é ano de exames às específicas! - e não sinto que tenha nem tempo para elaborar publicações que considere boas para o blogue nem boa disposição, e vir aqui transmitir más energias está fora de questão.
Portanto, pelo menos até conseguir organizar farei uma pausa da blogosfera, but don't worry, I'll be back!!

08/05/2016

Valeu a pena?


"Tinha 20 anos quando te conheci. Éramos muito diferentes, tu da nobreza, eu um mero escravo, mas as nossas almas completavam-se como nunca vira. Lembro-me tão bem dos longos fios de ouro que gostavas que eu acariciasse para que adormecesses, da imensidão dos teus olhos que me fazem lembrar o oceano que agora nos separa, da gargalhada que soava como uma melodia perfeita.

Fugimos seis meses depois para São Vicente porque acreditávamos que o nosso amor seria maior do que a não aprovação da relação pelos teus pais. O nosso primeiro ano foi óptimo, atrevo-me até a dizer que foi o melhor que vivi até hoje. Contudo, após os teus pais descobrirem onde nos encontrávamos o sonho tornou-se num pesadelo. Estávamos em fuga constante, com medo que nos descobrissem e te levassem com eles.

Com as mudanças de casa e cidades veio a instabilidade e as discussões. Em vez de tentarmos resolver as coisas, disseste-me que irias visitar os teus pais e a verdade é que eu também não te disse para ficares.

Prometeste-me que voltarias para mim, e apesar de saber que não passaram de palavras doces para me aquecerem o coração naquele momento de despedida, há uma parte de mim que continua com esperança que voltes antes que tudo o que ainda tenho de ti se desvaneça e nunca mais volte.

Oito anos passaram e embora saiba que estás casada e tens dois filhos com alguém como tu, da nobreza, continuo à tua espera, continuo a acreditar que o amor que tenho por ti continua a ser recíproco e que um dia voltarás.

Já não tenho tão presente na memória os teus olhos profundos, nem a tua gargalhada e já não consigo recordar-me do lindo timbre da tua voz. Agora pergunto-me se valeu a pena, se valeu a pena acreditar, esperar, amar-te. Às vezes chego à conclusão que não, no entanto o meu coração teima em contrariar a razão e a dizer que sim."

Maio 2015



* Há cerca de um ano a minha professora de português pediu-nos para escrever um conto sobre um amor proibido na época da colonização e foi este o texto que escrevi. Apesar de na altura não ter dado muita importância, um ano depois achei-o fantástico e decidi partilhá-lo. 

Espero que gostem!