Há já algum tempo que se começou a falar de fat shaming e eu fico bastante contente, porque apesar de não querer dizer que tenha acabado, acredito que faça as pessoas pensar duas vezes antes de dizer alguma coisa (ou não dizerem nada). Contudo, nesta onda de opiniões houve, em alguns discursos, uma coisa em particular que me deixou bastante desconfortável: o usarem "argumentos" do género "mulher que é mulher tem curvas" ou "mas quem é que quer um saco de ossos?" que são normalmente antecedidos por "o peso não define uma pessoa". Se o peso não define uma pessoa por que razão usam argumentos com base no mesmo? Argumentos esses que acabam por criar o também conhecido, mas menos falado, skinny shaming.
Com a ajuda da indústria da moda, ser magro começou a ser algo que muitos queriam atingir. E disto resultaram duas reacções - ou pelos menos as duas de que me consigo lembrar - a de associar magreza a distúrbios alimentares e a do "quem me dera ser como tu", e ambas irritam-me profundamente.
Não é por uma pessoa pesar menos que tem de ter necessariamente um distúrbio alimentar ou qualquer outra doença, da mesma maneira que não é sinónimo de saúde. Para além disso não me parece que caiba a uma pessoa que não seja médica e pensa que percebe do assunto avaliar a saúde de quem quer que seja.
E se há quem deseje atingir um ideal de magreza, há também aqueles que pegam em algo de que não se tem culpa e pode ser difícil de controlar, que neste caso é ter menos peso do que o considerado "normal", e gozam com a pessoa em questão. Aquilo que é capaz de me chocar mais nesta situação é o facto de, infelizmente, ser muito menos polémica do que fat shaming, quando na verdade é tão grave e mau como isso.
De facto o peso não define uma pessoa, nunca. E apesar de actualmente o objectivo de muitos passar por ter um corpo de manequim, isso não valida mais a troça de quem se possa aproximar desse "ideal", melhor, nada valida gozar com quem quer que seja independentemente da razão, corpo incluído.









