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30/12/2018


Imagem da minha autoria, por favor não utilizar
Pensar onde estava há um ano atrás e onde estou agora confirma-me a volta que a minha vida deu em 365 dias. Foi uma chapada de luva branca dada pela vida mas também uma grande lufada de ar fresco. Se olhar apenas para os momentos mais marcantes de 2018, é possível que as coisas negativas sejam mais que as positivas, contudo, não consigo olhar para 2018 com maus olhos. Acho genuinamente que tudo isso me trouxe tantas coisas boas que, no final, quando incluo também as coisas pequeninas, acabo com um balanço bastante positivo.
Os primeiros seis meses do ano foram simplesmente loucos e cheios de sentimentos contraditórios. Num momento sentia que estava na melhor altura da minha vida como noutro logo a seguir sentia-me completamente em baixo porque nem tudo estava a correr como tinha planeado. Um bom exemplo dissso foi um dia em que fui chamada para uma dinâmica de grupo, após passar numa entrevista online numa empresa conhecida (o que para mim, sendo na altura aluna de 1º ano – a única na dinâmica – era um big deal), e noutro dia bastante próximo descobri que tinha de ir ao primeiro recurso da faculdade por ter chumbado na época normal (o que também era um biiiig deal para mim). Também me lembro perfeitamente de haver um dia em que recebi uma má notícia e, passados uns dias, quando fui ver uma exposição ao MAAT sobre a felicidade, fiquei super feliz. Coincidência ou não, esse positivismo atraíu quase de imediato mais felicidade para a minha vida. E este foi, definitivamente, o turning point do meu ano. Apercebi-me do quão importante era a minha felicidade, o meu bem-estar, e não poderia haver ninguém na minha vida que lutasse contra isso, não o iria permitir.
Apesar disso, e por mais óbvio que pareça, em 2018 percebi que nem todas pessoas pensam e agem como eu, cabendo-me a mim decidir se consigo ou não viver com essa diferença. Não quer dizer que a outra pessoa está mal e eu bem ou vice-versa, apenas que há falta de compatibilidade, sendo que esta não deve ser exigida à outra pessoa. Felizmente, somos diferentes, por isso é natural ir encontrando pessoas que não vêem o mundo da mesma maneira, que exigem coisas que deixo de estar disposta a dar e eu também exijo coisas que essas mesmas pessoas podem não estar dispostas a dar. It’s okay.
            Após esta avaliação minuciosa à minha vida, percebi o tipo de pessoas que gostaria de ter à minha volta e nos seis meses seguintes, isto é, até agora, fiz por ter isso em atenção quando novas pessoas se apresentavam na minha vida. A verdade é que me tornei numa pessoa muito, mas mesmo muito mais positiva. Percebi que quase tudo tem uma solução e quando não há, posso optar pela maneira menos dolorosa de lidar com a situação. Hoje consigo dizer que tenho à minha volta pessoas também positivas, que me ajudam a atraír mais felicidade para a minha vida.
            No outro espetro desta onda de positivismo, aprendi também que a vida não é o conto de fadas que me venderam durante a minha infância. Não, não deixei de acreditar na vida, muito pelo contrário, mas percebi que há coisas que não podemos mesmo controlar, por muitíssimo que me custe. Pensei durante anos que vivia dentro de uma redoma que me protegia das coisas más do mundo, mas em 2018 percebi que nunca existiu redoma nenhuma que me isentasse da crueldade que há no mundo e na vida. Por mais que custe, faz parte.
            Felizmente, acabo este ano com as melhores pessoas à minha volta, com quem espero poder continuar a tornar-me mais adulta, culta e boa pessoa. Acabo o ano com a certeza de que cresci imenso e que me tornei numa pessoa mais compreensiva, mais responsável pelas suas ações, um bocadinho mais adulta embora ainda uma criança com imenso por aprender.

02/07/2018

Personal | NODUS TOLLENS


Os últimos seis meses da minha vida foram possivelmente os mais marcantes até hoje. Sinto que cresci imenso como ser humano, enfrentei situações que há uns meses teriam parecido impossíveis - o que me deu um estranho adulting feeling -, contudo também tive dificuldade em lidar com situações que nunca pensei questionar sequer.
A verdade é que cheguei a junho e senti-me perdida em mim mesma - ainda sinto. Tanto tinha mudado em mim e no que me rodeava mas ao mesmo tempo tanto permanecia igual e parte desse tanto já não me pertencia, não fazia sentido.
Desde setembro, com a entrada na faculdade, conheci imensas pessoas vindas de todos os cantos do país e até do mundo, com backgrounds e perspetivas sobre a vida que não podiam ser mais distintas das minhas como também encontrei pessoas parecidas comigo. Todas me ajudaram a ver o mundo de outra maneira, facto que me ajudou a perceber aquilo que não queria na minha vida e para a minha vida. 
Apesar dos 1001 benefícios que esta journey de auto descoberta me trouxe, não posso deixar de mencionar o quão heartbreaking é perceberem que pessoas que fizeram tanto sentido na vossa vida simplesmente já não fazem. Acredito que tal se deve tanto a se encontrarem em fases diferentes da vida com prioridades diferentes, como também ao facto de que, a cada dia que passa, eu ter uma hierarquia de valores cada vez mais sólida. Coisas que me passavam ao lado ou suportava há um ano, hoje faço questão de, definitivamente, não ter na minha vida.
Portanto sinto que este nodus tollens faz parte desta auto descoberta e, honestamente, não poderia estar mais entusiasmada pelo agora e o que vem a seguir (whatever that may be).

14/03/2018

SCHOOL | Escolha da área do secundário


Há quase dois anos escrevi este texto. Não me recordo por que razão não o publiquei na altura, talvez por ter medo de descobrir, depois de entrar no curso que queria, que afinal também não era para mim; talvez porque não calhou... Bem, de qualquer modo, quando há uns dias estive a fazer uma limpeza nos meus rascunhos do blog encontrei isto e tenho duas razões para o publicar agora, independentemente de já terem passado dois anos: 1. o disclaimer que faço logo de início e que também na altura me levou a escrevê-lo; 2. mesmo já estando na faculdade e de adorar o que estou a fazer, caso mais tarde me aperceba do contrário, acho que não é razão para não publicar, especialmente por causa do primeiro ponto.
Portanto, aqui têm, e para todas as pessoas que estão neste momento no secundário - embora saiba que há pouquíssimos leitores do meu blog que estão nesta situação - e se sentem perdidas, eu conheço a sensação, I've been there, acreditem que não é nada do outro mundo, embrace it e aproveitem para descobrir o que vos move.

15/02/2018

PERSONAL | Estarei eu reduzida a um número?


Gosto de encontrar textos de que não me lembro nitidamente de ter escrito porque é como fosse transportada no tempo e conseguisse ver a Inês do passado a escrevê-los. Contudo, quando encontrei este fiquei triste porque me lembro de passar por esta fase, mas só quando o li é que me apercebi do impacto negativo que na altura teve em mim. É um desabafo de uma adolescente de 16 anos cansada e ligeiramente revoltada com as regras que a sociedade impõem.
2016 e 2017 foram anos muito preenchidos e positivos em inúmeros aspectos, contudo foram também dos anos em que a minha ansiedade (sim, ansiedade, não nervosismo) esteve num dos seus picos. Pela primeira vez estava a deixar a escola afectar de forma preocupante a minha saúde mental, os primeiros exames do secundário aproximavam-se - e depois a candidatura a faculdade em 2017 -, estavam constantemente a assombrar-me o pensamento e via todos os testes como provas de fogo em que tinha de passar com distinção, custasse o que custasse. Eu - e mais ninguém - era demasiado exigente comigo.

"Está a chover e a vontade de ficar dentro da cama, no quentinho, até horas indecentes é grande, muito grande, chegando mesmo a ultrapassar a infinita lista de coisas que tenho de fazer. Quando, por fim, decido levantar-me, tomar o pequeno-almoço e ligar o computador para começar a riscar itens da minha lista dou por mim a questionar o efeito da escola na minha vida; o porquê de estar a aprender o que estou a aprender; se será que vale tudo a pena. Até que ponto é que as notas que se tiram num teste definem inteligência ou até mesmo capacidade de executar um determinado trabalho, que é para isso que a escola está a preparar-nos?

Quando era mais nova adorava a escola, sentia que perceber aquilo que me ensinavam era mais importante do que tirar uma boa nota. No entanto, principalmente com a entrada no secundário, senti uma grande mudança na maneira como se abordava a escola. Os números é que interessam, afinal são eles e apenas eles que nos vão colocar na nossa faculdade de sonho ou fazer-nos sentir como falhados por não ter conseguido. O perceber a matéria passa para segundo plano, passando o "ter boas notas para atingir uma média" a primeiro plano. Parece que o entender o que é ensinado ou até mesmo a maneira como se consegue essa média não interessa, o importante é tê-la.
Este processo deixa-me não só ansiosa durante os testes por causa do "preciso de x valores neste teste" como também faz com que me sinta reduzida a um número. Como é que a minha vida, o meu futuro pode estar reduzido a um número?"
Fevereiro.2016


Lembro-me vagamente de quando comecei a sentir-me assim, reduzida a um número, e quando comecei a perder o encanto que tinha pela escola. Foi triste, muito triste, principalmente por ser uma pessoa muito curiosa que tem um gosto enorme e intrínseco por aprender coisas novas.
Agora na faculdade, felizmente, deixei de me sentir assim. Não vou mentir, as notas continuam a afectar-me, principalmente se foi um teste ou trabalho para o qual trabalhei muito e dei muito de mim, mas tem menos efeito. Gosto mais das aulas, não me importo - gosto! - de saber mais além e deixa-me extremamente feliz perceber que estou lentamente a recuperar essa parte de mim, que já não me sinto tão reduzida a um número e não sinto a necessidade de decorar o que está num livro para depois regurgitar numa folha de papel. Voltei a gostar da escola e de aprender por si só.

30/08/2017

School | O último ano do secundário


"Tenho a sensação que este será mais um ano memorável, incrivelmente preenchido apesar das aparentes tardes livres que o meu horário mostra. Só espero que seja ligeiramente menos stressante do que o meu 11º "

Quase um ano após de ter escrito esta publicação aqui estou eu, ainda sem acreditar que daqui a sensivelmente um mês estarei na faculdade - espero eu -, pronta para vos contar como foi este ano letivo e se o que disse se verificou ou não.

10/01/2017

Personal | Stella


Nos últimos anos tenho-me apercebido de uma coisa: crescer com animais de estimação é das melhores coisas de sempre. E eu sinto-me incrivelmente grata por ter tido essa oportunidade.
Decidi portanto partilhar aqui no blog a experiência que tive e estou a ter com a Stella, uma gata com sensivelmente seis meses e que é incrivelmente adorável.

No dia 18 de Agosto de 2016, depois de jantar, encontrei uma gatinha que acabou por tornar 2016 ainda melhor. Era toda preta e tinha os olhos mais queridos e convidativos de sempre.

Ter adotado a Stella tendo eu na altura quase 17 anos foi uma experiência diferente de todas as que tive antes com animais. Tenho mais noção do que está a acontecer e acabo por ter experiências diferentes por isso. Penso que a idade que tenho me permitiu criar uma ligação com ela que nunca antes tivera com outro animal - não querendo com isto dizer, de qualquer modo, que não os amei como a amo,

O período de adaptação foi difícil, principalmente por ter outro gato já com seis anos em casa, mas foi totalmente worth it. Tal como disse no início, crescer com um animal de estimação é das melhores coisas de sempre.

*Foto da minha autoria, não utilizar sem autorização

08/05/2016

Valeu a pena?


"Tinha 20 anos quando te conheci. Éramos muito diferentes, tu da nobreza, eu um mero escravo, mas as nossas almas completavam-se como nunca vira. Lembro-me tão bem dos longos fios de ouro que gostavas que eu acariciasse para que adormecesses, da imensidão dos teus olhos que me fazem lembrar o oceano que agora nos separa, da gargalhada que soava como uma melodia perfeita.

Fugimos seis meses depois para São Vicente porque acreditávamos que o nosso amor seria maior do que a não aprovação da relação pelos teus pais. O nosso primeiro ano foi óptimo, atrevo-me até a dizer que foi o melhor que vivi até hoje. Contudo, após os teus pais descobrirem onde nos encontrávamos o sonho tornou-se num pesadelo. Estávamos em fuga constante, com medo que nos descobrissem e te levassem com eles.

Com as mudanças de casa e cidades veio a instabilidade e as discussões. Em vez de tentarmos resolver as coisas, disseste-me que irias visitar os teus pais e a verdade é que eu também não te disse para ficares.

Prometeste-me que voltarias para mim, e apesar de saber que não passaram de palavras doces para me aquecerem o coração naquele momento de despedida, há uma parte de mim que continua com esperança que voltes antes que tudo o que ainda tenho de ti se desvaneça e nunca mais volte.

Oito anos passaram e embora saiba que estás casada e tens dois filhos com alguém como tu, da nobreza, continuo à tua espera, continuo a acreditar que o amor que tenho por ti continua a ser recíproco e que um dia voltarás.

Já não tenho tão presente na memória os teus olhos profundos, nem a tua gargalhada e já não consigo recordar-me do lindo timbre da tua voz. Agora pergunto-me se valeu a pena, se valeu a pena acreditar, esperar, amar-te. Às vezes chego à conclusão que não, no entanto o meu coração teima em contrariar a razão e a dizer que sim."

Maio 2015



* Há cerca de um ano a minha professora de português pediu-nos para escrever um conto sobre um amor proibido na época da colonização e foi este o texto que escrevi. Apesar de na altura não ter dado muita importância, um ano depois achei-o fantástico e decidi partilhá-lo. 

Espero que gostem!