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14/03/2018

SCHOOL | Escolha da área do secundário


Há quase dois anos escrevi este texto. Não me recordo por que razão não o publiquei na altura, talvez por ter medo de descobrir, depois de entrar no curso que queria, que afinal também não era para mim; talvez porque não calhou... Bem, de qualquer modo, quando há uns dias estive a fazer uma limpeza nos meus rascunhos do blog encontrei isto e tenho duas razões para o publicar agora, independentemente de já terem passado dois anos: 1. o disclaimer que faço logo de início e que também na altura me levou a escrevê-lo; 2. mesmo já estando na faculdade e de adorar o que estou a fazer, caso mais tarde me aperceba do contrário, acho que não é razão para não publicar, especialmente por causa do primeiro ponto.
Portanto, aqui têm, e para todas as pessoas que estão neste momento no secundário - embora saiba que há pouquíssimos leitores do meu blog que estão nesta situação - e se sentem perdidas, eu conheço a sensação, I've been there, acreditem que não é nada do outro mundo, embrace it e aproveitem para descobrir o que vos move.

23/02/2018

5 COISAS | que aprendi no secundário


Tal como referi numa publicação que fiz sobre o meu 12º, sinto que ao longo deste três anos aprendi muito e por isso cresci também. Portanto hoje decidi partilhar algumas das lições que me foram dadas (mais relacionadas com a escola, exames, etc) e que às vezes - mas só às vezes - gostaria de ter sabido logo no 10º ano.



São três anos em que terás a oportunidade de crescer imenso como pessoa e de viver experiências absolutamente incríveis. Por isso é ainda mais importante ser-se fiel a nós mesmos, àquilo em que acreditamos, valorizamos ou não.
Creio que assim ser-te-á possível encontrar pessoas com que te identificas e eventualmente o teu grupo de amigos.
Não tenhas medo de dizer que não por pensares que não te irão aceitar como és. E se for o caso, afasta-te porque não são pessoas que no futuro quererás na tua vida.
*( esta é uma lição que pretendo aplicar também nesta nova fase e, honestamente, durante a minha vida)




Já sei, já sei, a faculdade é muito mais exigente e pede mais do nosso tempo, etc, etc, mas como alguém que durante o secundário esteve rodeada de pessoas que se preocupavam minimamente com os testes/trabalhos, médias de entrada para a faculdade e que teve professores que desafiavam a nossa gestão de tempo, rapidamente percebi que é fácil cair para um dos lados da balança: deixarmo-nos aliciar pela diversão que as saídas com os amigos nos proporcionam e descurarmos o estudo ou ficarmos demasiado obcecados com o mesmo e quase não vermos a luz do dia sem ser para ir à escola.
Sim, é importante esforçarmo-nos e sabe imensamente bem atingir objetivos mas lembrem-se de que a saúde mental está acima de tudo isso, ainda que possa parecer secundária.




Não sei se isto é um problema apenas existente na escola onde andei mas não havia uma única pessoa que nos conseguisse esclarecer todas as dúvidas que tínhamos sobre os exames nacionais e o que estes implicavam no momento de candidatura à faculdade - havia inclusive o caso de professores diferentes a dizer coisas diferentes .
Por exemplo, durante muito tempo disseram-nos que se fôssemos a qualquer segunda fase de exames no 12º estávamos automaticamente exclúidos da primeira fase de candidaturas, o que é mentira. O que acontece é que posso utilizar o exame que fiz na primeira fase (caso seja de 12º - que foi o meu caso) em todas as fases de candidaturas mas o que realizei em segunda fase só é possível utilizar a partir da segunda fase de candidaturas (se não perceberam o que quis dizer e têm dúvidas feel free para me mandar um e-mail que posso explicar melhor). Logo, aproveitem todas as chances que têm para repetir exames uma vez que não têm nada a perder, pelo contrário.
Aconselho-vos também vivamente dois sites: Uniarea (e respetivo fórum) e Inspiring Future. Eu e os meus amigos tornámo-nos quase em experts no que toca a todas as implicações possíveis de exames na candidatura à faculdade graças a estas duas plataformas!




Infelizmente - por me ter deixado desamparada na altura - e felizmente - porque mais vale tarde do que nunca - só aprendi a sério isto na época de exames do 12º ano. Deixei os nervos levarem a melhor durante aquela que seria a minha única prova de ingresso.
Vi o plano que desenhei, que era tecnicamente perfeito e possível, ser destruído em três horas e doeu, doeu mesmo. Como é óbvio, sempre esperei imprevistos - e encontrei alguns pelo caminho -, mas este era o que não podia acontecer. Preparei-me o melhor possível para o evitar e ainda assim ele encontrou-me a mim.
O meu conselho para estas situações é: tenham o vosso momento - que considero também de extrema importância -, respirem fundo e comecem a pensar ou numa outra solução para chegar ao mesmo fim ou numa alternativa ao que tinham inicialmente pensado. Mas não desistam logo, lutem!




Mais uma vez gostaria de dar ênfase ao "informem-se" uma vez que considero ser o melhor método de modo a existirem menos chances de mais tarde descobrirem que afinal não é aquilo que querem - pode acontecer na mesma, óbvio - e de terem mais a certeza que "É mesmo isto!"
Comecem por ler testemunhos de pessoas que andam em determinados cursos e que vos dão uma ideia do que vão encontrar. Leiam de vários cursos se ainda não tiverem uma ideia concreta do que querem e vários do mesmo curso caso já tenham.
Dêem uma olhadela nos planos de estudos dos cursos que mais vos interessam em várias faculdades (uma vez que costumam variar embora o curso seja o mesmo) de modo a perceberem se a ideia que associavam ao nome do curso corresponde à realidade ou se aquelas cadeiras não vos dizem nada.
Usem e abusem também das oportunidades que a maioria das faculdades disponibiliza para que os pré-universitários possam conhecer melhor o curso e a instituição.
Seguindo estes passos, penso que quando tomarem a vossa decisão no momento da candidatura estarão conscientes de vários parâmetros essenciais, o que vos permite escolher o curso e faculdade que mais tem a ver convosco.



Independentemente da vossa escolha no final do 12º, que não tem de passar por ir para a faculdade se não é o que querem - falo desta opção porque se trata da minha experiência -, sejam persistentes, não se contentem com menos se é realmente o que querem, lutem para tornar os vossos sonhos realidade e sejam, sobretudo, muito felizes!

Caso tenham alguma dúvida não hesitem em deixar nos comentários ou de me mandar um e-mail (aloststar2809@gmail.com). Responderei com todo o gosto!


Ainda estão no secundário, já estão na faculdade ou a trabalhar? Contem-me tudo!

15/02/2018

PERSONAL | Estarei eu reduzida a um número?


Gosto de encontrar textos de que não me lembro nitidamente de ter escrito porque é como fosse transportada no tempo e conseguisse ver a Inês do passado a escrevê-los. Contudo, quando encontrei este fiquei triste porque me lembro de passar por esta fase, mas só quando o li é que me apercebi do impacto negativo que na altura teve em mim. É um desabafo de uma adolescente de 16 anos cansada e ligeiramente revoltada com as regras que a sociedade impõem.
2016 e 2017 foram anos muito preenchidos e positivos em inúmeros aspectos, contudo foram também dos anos em que a minha ansiedade (sim, ansiedade, não nervosismo) esteve num dos seus picos. Pela primeira vez estava a deixar a escola afectar de forma preocupante a minha saúde mental, os primeiros exames do secundário aproximavam-se - e depois a candidatura a faculdade em 2017 -, estavam constantemente a assombrar-me o pensamento e via todos os testes como provas de fogo em que tinha de passar com distinção, custasse o que custasse. Eu - e mais ninguém - era demasiado exigente comigo.

"Está a chover e a vontade de ficar dentro da cama, no quentinho, até horas indecentes é grande, muito grande, chegando mesmo a ultrapassar a infinita lista de coisas que tenho de fazer. Quando, por fim, decido levantar-me, tomar o pequeno-almoço e ligar o computador para começar a riscar itens da minha lista dou por mim a questionar o efeito da escola na minha vida; o porquê de estar a aprender o que estou a aprender; se será que vale tudo a pena. Até que ponto é que as notas que se tiram num teste definem inteligência ou até mesmo capacidade de executar um determinado trabalho, que é para isso que a escola está a preparar-nos?

Quando era mais nova adorava a escola, sentia que perceber aquilo que me ensinavam era mais importante do que tirar uma boa nota. No entanto, principalmente com a entrada no secundário, senti uma grande mudança na maneira como se abordava a escola. Os números é que interessam, afinal são eles e apenas eles que nos vão colocar na nossa faculdade de sonho ou fazer-nos sentir como falhados por não ter conseguido. O perceber a matéria passa para segundo plano, passando o "ter boas notas para atingir uma média" a primeiro plano. Parece que o entender o que é ensinado ou até mesmo a maneira como se consegue essa média não interessa, o importante é tê-la.
Este processo deixa-me não só ansiosa durante os testes por causa do "preciso de x valores neste teste" como também faz com que me sinta reduzida a um número. Como é que a minha vida, o meu futuro pode estar reduzido a um número?"
Fevereiro.2016


Lembro-me vagamente de quando comecei a sentir-me assim, reduzida a um número, e quando comecei a perder o encanto que tinha pela escola. Foi triste, muito triste, principalmente por ser uma pessoa muito curiosa que tem um gosto enorme e intrínseco por aprender coisas novas.
Agora na faculdade, felizmente, deixei de me sentir assim. Não vou mentir, as notas continuam a afectar-me, principalmente se foi um teste ou trabalho para o qual trabalhei muito e dei muito de mim, mas tem menos efeito. Gosto mais das aulas, não me importo - gosto! - de saber mais além e deixa-me extremamente feliz perceber que estou lentamente a recuperar essa parte de mim, que já não me sinto tão reduzida a um número e não sinto a necessidade de decorar o que está num livro para depois regurgitar numa folha de papel. Voltei a gostar da escola e de aprender por si só.

30/08/2017

School | O último ano do secundário


"Tenho a sensação que este será mais um ano memorável, incrivelmente preenchido apesar das aparentes tardes livres que o meu horário mostra. Só espero que seja ligeiramente menos stressante do que o meu 11º "

Quase um ano após de ter escrito esta publicação aqui estou eu, ainda sem acreditar que daqui a sensivelmente um mês estarei na faculdade - espero eu -, pronta para vos contar como foi este ano letivo e se o que disse se verificou ou não.

15/09/2016

School | I'm a senior


Nem acredito que estou aqui a escrever isto, como assim já passaram dois anos desde que entrei para o 10º ano. Foram dois anos muito intensos e em que sinto que cresci imenso como pessoa, descobri finalmente aquilo que quero seguir, estabeleci objetivos, ri muito e também chorei, recebi pessoas fantásticas na minha vida e disse adeus a outras, descobri-me a mim mesma. Agora aqui estou eu na véspera de começar o meu último ano do secundário, o último ano de uma etapa de 12 que aposto que irá passar ainda mais depressa que o anterior, e tudo isto é só surreal para mim.

Uma das músicas dos Arctic Monkeys (Love is a Laserquest) começa com a pergunta "Do you still feel younger than you thought you would by now?" e acho que nada descreve melhor a sensação que tenho tido nos últimos anos em relação ao tempo. Não sei se sou a única a quem isto acontece, mas quando era mais nova e via as pessoas do 12º ou até mesmo 9º, pensava que se sentiam como quase adultas - lembrem-se de que eu tinha 10 anos -, no entanto agora quase com 17 anos sinto-me tudo menos isso. Mais uma vez, é surreal para mim sequer pensar que daqui a um ano estou prestes a atingir maioridade.

Tenho a sensação que este será mais um ano memorável, incrivelmente preenchido apesar das aparentes tardes livres que o meu horário mostra. Só espero que seja ligeiramente menos stressante do que o meu 11º.

Como os americanos diriam, I'm a highschool senior!!

Bom ano letivo a todos!!

27/08/2016

Escola | Filosofia


Há dois anos estava prestes a começar um novo capítulo com a mudança de escola e entrada no 10º ano. Com isto veio também uma disciplina nova e acreditem ou não até aquele momento não tinha ouvido ninguém dizer bem de filosofia. "É vago", "quanto mais escreveres melhor, mesmo que seja palha", etc. Eu era objetiva no que escrevia e portanto se havia algo para que me faltava jeito era escrever "palha" em testes. Isto associado ao primeiro facto fez com que as minhas expectativas para a disciplina fossem baixas, muito baixas, tanto para o conteúdo da mesma como para a nota que obteria no final do período.
O ano letivo começou e fui surpreendida de modo positivo, ao ponto de estar mais acordada às 8.30 nas aulas de filosofia do que em algumas aulas ao meio dia. Óbvio que ter tido a professora que tive no ano de introdução ajudou imenso, mas a verdade é que esta disciplina me ajudou a olhar para o mundo de um modo diferente, fez-me perceber que nem sempre há um certo, mas haverá sempre um com que irei concordar mais.
Embora considerada por muitos uma disciplina muito teórica e com pouca ou até mesmo nenhuma utilidade no dia-a-dia, eu acho que é aquela cujas as matérias me vêm mais frequentemente à cabeça em situações do quotidiano. Porquê? Estão a ver aquelas coisas que sabemos o que são mas se nos pedirem para definir não conseguimos explicar? Com filosofia houve exemplos disso que ficaram claros, deixaram de ser vagos como me tinham dito anteriormente que seria, daí eu lembrar-me deles em situações diárias e ter passado a olhar para o mundo de uma maneira diferente, como mencionei acima.
Outros dois mitos que gostaria de esclarecer são o facto de ter de se escrever muito, incluindo a palha, e a única maneira de se estudar para um teste ser decorar. Sobre o primeiro, sempre utilizei o método da introdução, desenvolvimento e conclusão para todas as minhas respostas em testes, continuando a ser objetiva, não me limitando a despejar a matéria e sempre tive boas cotações nas respostas. Quanto ao último, este é provavelmente o mais relativo, pois se uma pessoa não gostar mesmo da disciplina e não conseguir visualizar situações comuns em que a matéria é aplicada é de facto difícil, mas acredito que o uso de exemplos quando se está a estudar ajuda imenso a compreender a matéria, e se compreendermos esses exemplos perdemos muito menos tempo do que a decorar palavra a palavra o que está no livro, pois somos capazes de explicá-los usando as nossas, e utilizando este método acreditem que existe muito menos probabilidade de terem uma branca ou confundirem conceitos.
Bottom line is, eu entrei no 10º ano a achar que ia detestar filosofia e acabei por gostar imenso, tanto que considerei fazer o exame no final do 11º, fi-lo e tive uma boa classificação. No entanto com este meu testemunho não pretendo que fiquem a achar que toda a gente devia gostar de filosofia visto que eu gostei tanto, mas sim que não podemos esquecer-nos de que as pessoas são diferentes e por isso reagem às mesmas coisas de modo também diferente, logo não devemos achar que porque x sentiu isso com não sei o quê, também nós o iremos sentir. Não limitem o vosso julgamento às experiências dos outros, mas às vossas.