14/03/2018

SCHOOL | Escolha da área do secundário


Há quase dois anos escrevi este texto. Não me recordo por que razão não o publiquei na altura, talvez por ter medo de descobrir, depois de entrar no curso que queria, que afinal também não era para mim; talvez porque não calhou... Bem, de qualquer modo, quando há uns dias estive a fazer uma limpeza nos meus rascunhos do blog encontrei isto e tenho duas razões para o publicar agora, independentemente de já terem passado dois anos: 1. o disclaimer que faço logo de início e que também na altura me levou a escrevê-lo; 2. mesmo já estando na faculdade e de adorar o que estou a fazer, caso mais tarde me aperceba do contrário, acho que não é razão para não publicar, especialmente por causa do primeiro ponto.
Portanto, aqui têm, e para todas as pessoas que estão neste momento no secundário - embora saiba que há pouquíssimos leitores do meu blog que estão nesta situação - e se sentem perdidas, eu conheço a sensação, I've been there, acreditem que não é nada do outro mundo, embrace it e aproveitem para descobrir o que vos move.


*No 9º/10º adorava ter lido sobre a experiência e opinião imparcial de uma pessoa desconhecida, tendo sido essa a razão que me levou a escrever esta publicação*

Nunca tive a certeza do que queria ser quando "fosse grande" (como detesto esta expressão) e se quando era mais nova já sentia um pouco a necessidade de saber por ser uma pergunta frequente, quando cheguei ao final do 9º ano foi o derradeiro stress. A maior parte das pessoas (incluindo professores) não tinha dúvidas de que eu iria para ciências, já eu não tinha tantas certezas disso, gostava de matemática, é verdade, but that's pretty much it, nunca me imaginei num trabalho na área.
Quando surgiu a oportunidade de fazer um teste vocacional/psicotécnico não hesitei e fi-lo, acreditei que talvez me ajudasse a ter mais certezas. Contudo, o resultado de que a área para a qual teria mais vocação ou de que gostaria mais seria línguas e humanidades só me deixou mais confusa, o que não foi necessariamente algo negativo a longo prazo - na altura senti que foi a pior coisa que me estava acontecer. Entretanto fizemos com a psicóloga da escola outro teste psicotécnico um pouco diferente e as áreas onde obtive mais "pontos" foram comunicação e negócios. Como devem presumir, apesar de não achar possível, consegui ficar ainda mais confusa.
Esta incerteza permaneceu até literalmente à hora de entregar a matrícula, foi o último campo que preenchi e admito que foi uma mistura de "um dó li tá" com "vamos lá ter em conta qual delas te dá mais variedade de escolhas no fim", e por isso escolhi ciências.

Uns meses depois chegou o 10º ano e acabei numa sala de aula em que quando perguntavam "o que queres seguir na faculdade?" (porque assumem que é esse o próximo passo) era a única sem ter a mínima ideia, o que é mau, principalmente quando os professores perguntavam, de seguida, chocados "nem uma área geral???" e tinha de voltar a responder "não". Atenção, não é mau por não saber o que se quer seguir, mas por te fazerem sentir mal por isso, quando com, na altura, 15 anos, é perfeitamente aceitável.
Logo nas primeiras semanas pensei em mudar de área, porém a questão "e se mudares e perceberes que afinal não gostas daquilo mas sim de onde estás agora?" assustava-me demasiado e acabei por decidir esperar até ao final do ano para ter a certeza de que não estava a tirar conclusões precipitadas, e pensei que na altura talvez já tivesse descoberto o que queria ser.
O final do ano chegou e guess what?, that's right, continuava sem saber o que fazer da vida, mas tinha a certeza que a área das ciências (diga-se Biologia e Física-Química) não era para mim. Como a média com que estava até era relativamente boa e podia seguir praticamente tudo o quisesse estando na área que estava, decidi continuar.

Atualmente digo a mim própria "ainda bem que não tinhas certezas" porque foi essa falta de certezas que fizeram com que começasse uma pesquisa bastante intensiva de vários cursos, médias, planos de estudo, saídas profissionais (não por causa do emprego, mas para saber que tipo de trabalho faria), etc. Fui acumulando uma grande quantidade de informação e acabei por encontrar uma área que me fez pensar "é mesmo isto" e foi a melhor sensação do mundo.

Agora, quase um ano depois, sinto que já começo a delinear um caminho e que estou a esforçar-me para atingir um objetivo e não só porque sim (acreditem que é frustrante). O meu conselho é, mesmo que aches que tens a certeza, vai a open days de faculdades, tanto do que queres - só para teres ainda mais certezas ou perceberes que afinal não é nada daquilo que queres - como também de outras áreas que te possam interessar. Faz bem e vais perceber, se for o caso, que há mais pessoas com dúvidas, you're not alone.


20.04.2016

2 comentários:

  1. Quando chega esta altura é sempre um quebra cabeças, também me senti confusa ao início.
    No entanto, acho que para quem não tem uma ideia logo geral do que quer seguir na faculdade a área de ciências torna-se mais abrangente. Atenção que não estou menosprezar a área de línguas. Imagina que estás em ciências e descobres que queres ir para algo mais relacionado com línguas\comunicação, consegues fazê-lo através de português, enquanto que estando em línguas e querendo ir para um curso de saúde por exemplo se torna mais complicado. Não sei, esta é a opinião que tenho :)

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  2. Sempre me fez confusão este funil imposto pelos cursos que, se por um lado, faz uma grande parte da malta esfregar as mãos porque “já não tenho de levar com disciplina x”, por outro, faz pessoas plurais terem de anular uma parte dos seus interesses e curiosidades ao serviço de um curso que decidem aos 14 anos. Com toda a certeza sei que a Inês de 14 era um ser humano completamente diferente do que sou hoje e com certeza tu dirás o mesmo! E a mesma coisa se passa quando temos de decidir o que queremos ser para o resto da vida aos 18 anos, praticamente sem experiência e ainda nos cobram que jamais mudemos de caminho. É difícil ser plural neste universo.
    Eu sou adepta de que, na impraticabilidade de toda a gente ter disciplinas globais até à faculdade, pelo menos poderem escolher opcionais de outros cursos. Eu odiava matemática (excepto trigonometria) mas adorava química e história. Detestava a biologia lecionada (gosto mais da humana e só a tens no 12º) e gostava de geografia. E tive de anular uma série de áreas muito interessantes por um curso. Isto é fatal para a curiosidade e interesse. Mais do que perguntar o que queres ser ou no que és mais forte, precisamos de perguntar mais vezes “o que te interessa?” ou “o que te desperta curiosidade?” porque são precisamente estes dois trunfos que te fazem avançar em qualquer esfera da vida.

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