12/04/2016

Society | A escola não é tudo


Como aluna do secundário, de 11º para ser mais precisa, já senti várias vezes que estes três anos são decisivos, pois ajudarão a decidir se irei entrar na faculdade que quero ou não. Isto faz com que haja momentos da minha vida em que sinta que tudo se resume a escola e fico um pouco revoltada que assim seja, principalmente porque acho que este pensamento tem vindo a ser cada vez mais frequente devido ao facto de os professores levarem-nos a acreditar que é assim que deve ser. E não é por desvalorizar o ensino, pelo contrário, é por às vezes dar por mim a questionar até que ponto é que me estão a formar como cidadã de um país que um dia será "meu" - quando puder votar, etc - e chegar à conclusão que o ensino em si pouco o está a fazer.

Principalmente nos últimos tempos, tenho vindo a sentir que a escola promove mais a minha capacidade de memorização do que propriamente a de entender, e a grande quantidade de matéria dada num curto espaço de tempo faz com que tenhamos de estudar mais regularmente e acabamos muitas vezes por ficar dentro de uma bolha, afastados do mundo que nos rodeia.
Ainda hoje uma amiga minha contou-me que no outro dia a mãe lhe perguntou quem era o actual presidente da assembleia da república e ela não sabia. Isto é grave, a meu ver é muito mais grave do que não saber as etapas da meiose ou calcular a velocidade de queda de um objecto, muito mais.

Obviamente acho que apesar de tudo também temos de nos interessar, ou pelo menos querer saber, sobre este tipo de coisas, no entanto, acho também que este querer saber o que se passa à nossa volta, nomeadamente sobre política - algo tão importante-, deveria ser também um pouco estimulado na escola - a partir do secundário - não no sentido de nos influenciar de alguma maneira, mas de modo a compreendermos pelo menos o básico que precisamos de saber enquanto cidadãos (visto que podemos votar!).
Desde pequena que tenho por hábito ver telejornal à hora de jantar - não que concorde inteiramente com esta prática - e isso fez com que desde cedo estivesse atenta ao que se passa. E, voltando ao exemplo da política, este hábito que criei fez com que estivesse muitas vezes ocorrente do que passa no mundo, e embora seja um assunto que não me chama muito à atenção, como cidadã gosto de estar informada e faço por isso. Mesmo assim, será que as escolas, estando a formar os futuros adultos e líderes de um país, não se deveriam preocupar em formá-los (não formatá-los) também nesse sentido?

Falando agora de questões mais simples como a relação com as pessoas e destas com o mundo em geral. A escola, ao influenciar os alunos a focarem-se tanto nas notas e a parte teórica, esquece-se também de nos alertar para questões mais humanitárias, e a verdade é que muitas pessoas da minha idade pensam "qual ajudar os outros ou fazer voluntariado, isso não conta para a nota e eu quero uma boa média", o que para além de mostrar alguma falta de carácter, na minha opinião, mostra também o individualismo que se está a criar cada vez mais e cada vez mais cedo.

Claro que darem-nos as bases teóricas para o que queremos seguir no futuro é importante, mas choca-me, e mais do que isso, revolta-me, que estejam a investir imenso nessa formação teórica e estejam a desleixar a nossa formação como cidadãos, a que, independentemente do estatuto social, todos deveriam ter direito.

Têm alguma opinião sobre o assunto ou nunca tinham pensado nisso?

3 comentários:

  1. É o sistema de educação que temos, infelizmente. Na faculdade não é muitíssimo diferente, depende do curso para que fores. Há é uma maior distância entre profs e alunos.

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  2. Percebo o que queres dizer, e tens razão...

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