07/01/2016

Body Shaming


Há já algum tempo que se começou a falar de fat shaming e eu fico bastante contente, porque apesar de não querer dizer que tenha acabado, acredito que faça as pessoas pensar duas vezes antes de dizer alguma coisa (ou não dizerem nada). Contudo, nesta onda de opiniões houve, em alguns discursos, uma coisa em particular que me deixou bastante desconfortável: o usarem "argumentos" do género "mulher que é mulher tem curvas" ou "mas quem é que quer um saco de ossos?" que são normalmente antecedidos por "o peso não define uma pessoa". Se o peso não define uma pessoa por que razão usam argumentos com base no mesmo? Argumentos esses que acabam por criar o também conhecido, mas menos falado, skinny shaming.

Com a ajuda da indústria da moda, ser magro começou a ser algo que muitos queriam atingir. E disto resultaram duas reacções - ou pelos menos as duas de que me consigo lembrar - a de associar magreza a distúrbios alimentares e a do "quem me dera ser como tu", e ambas irritam-me profundamente.
Não é por uma pessoa pesar menos que tem de ter necessariamente um distúrbio alimentar ou qualquer outra doença, da mesma maneira que não é sinónimo de saúde. Para além disso não me parece que caiba a uma pessoa que não seja médica e pensa que percebe do assunto avaliar a saúde de quem quer que seja.

E se há quem deseje atingir um ideal de magreza, há também aqueles que pegam em algo de que não se tem culpa e pode ser difícil de controlar, que neste caso é ter menos peso do que o considerado "normal", e gozam com a pessoa em questão. Aquilo que é capaz de me chocar mais nesta situação é o facto de, infelizmente, ser muito menos polémica do que fat shaming, quando na verdade é tão grave e mau como isso.

De facto o peso não define uma pessoa, nunca. E apesar de actualmente o objectivo de muitos passar por ter um corpo de manequim, isso não valida mais a troça de quem se possa aproximar desse "ideal", melhor, nada valida gozar com quem quer que seja independentemente da razão, corpo incluído.

5 comentários:

  1. Exactamente! Eu sou mais magra que a maioria das pessoas, sempre fui e nada tem a ver com problemas de saúde, mas quando era mais nova as pessoas gozavam-me por isso.
    Hoje em dia as coisas já são diferentes, invés de gozarem dizem o tão famoso "quem me dera comer tanto quanto tu e não engordar um kilo". Que, como a ti, irrita-me profundamente. Durante anos tentei ganhar peso de forma a deixar de ser gozava - e até porque eu própria reconheço que estou a baixo do peso normal -, porém nunca consegui. Agora vem alguém dizer-me que gostaria de ser como eu, ignorando por completo as minhas inseguranças perante o meu corpo.

    Obrigada por esta publicação.

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  2. Isto irrita-me tanto! Eu não sou uma pessoa com muito peso, tenho um peso que considero equilibrado, e não tenho como alterá-lo, sou assim por natureza! O problema é que os meus ossos nas costas e assim são bastante visíveis então tenho sempre pessoas a criticarem-me, magoa tanto! As pessoas não percebem que é tão ofensivo criticarem uma pessoa magra, como o é criticarem uma pessoa mais gordinha...

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  3. O "mulher que é mulher tem curvas" é especialmente idiota. Eu sempre fui magra e no ensino básico fui vítima de algum bullying. As coisas do costume, como os simpáticos "és esquelética!". No entanto, não sei bem como, nunca deixei que me afetasse. Sempre adorei ser magra, sempre gostei de ter uma figura "a direito" com poucas curvas. Aliás, basta-me engordar 2 ou 3kg para o peito começar a crescer, e deixo de me sentir "eu". Ainda hoje fico toda contente quando alguém me diz, com aquele tom que finge ser preocupado, "estás tão magrinha..."

    Perdida em Combate

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  4. Eu acho que havíamos de querer fazer passar a toda a gente que independentemente de seres magro ou gordo o que se quer é que as pessoas sejam saudáveis.

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  5. Adorei as tuas palavras. Haja inteligência para se perceber que o objectivo é gostarmos do nosso corpo e respeitar o dos outros sem ter de rebaixar...No meu caso também passei anos menos felizes à conta de comentários como esse de "ser um saco de ossos", geneticamente sempre fui e não tinha a quem sair de outra forma, anos mais tarde descobri que tinha uma doença crónica nada a ver com distúrbios alimentares, mas a medicação que tive de fazer fez-me ganhar peso (nada de mais até fiquei mais fofinha com 6 kg a mais) no entanto sentia-me mal porque não me sentia "eu"...agora finalmente já consigo viver sem tanto medicamento e consegui voltar ao meu normal, e ainda hoje toda gente me diz, que sou magrinha, mas hoje sinto-me feliz com isso.

    Beijinho ;)

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